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Anderson Augusto de Souza Pereira

  •      No ano de 1962, na cidade de Miradouro, Minas Gerais, nasceu Anderson Augusto de Souza Pereira. Aos dois anos de idade, mudou com a sua família para a cidade de Muriaé, MG.

         Um dos oito filhos de Hilda de Souza Pereira e Adelino José Pereira,  desenvolveu seus estudos básicos na cidade de Muriaé onde, muito cedo, descobriu seu talento para as artes plásticas. Incentivado por amigos e familiares começou a desenvolver seus trabalhos artísticos e, autodidata, se lança em suas primeiras obras a óleo.

         O Sr José Henrique Hastenreiter foi um grande amigo e uma das pessoas que o incentivou a trilhar o caminho das artes e passava horas lhe mostrando suas obras particulares. Ele estava organizando materiais para edição de livros sobre a história da cidade de Muriaé. Foi aí que convidou Anderson para fazer duas ilustrações, umas delas, releitura de uma obra antiga que retratava os índios Puris. Foi assim que Anderson, ainda adolescente, teve sua primeira publicação na coleção “Revista da Historiografia Muriaeense”.

         Em busca de um sentido mais profundo para sua vida, aos dezessete anos, ingressou na Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, incentivado pelo testemunho e carisma do saudoso Padre Adriano Keet. Foi um momento especial para o crescimento da sua fé e espiritualidade. Teve o privilégio de conhecer Pe Guilherme Goossens, com quem fortaleceu sua base de valores éticos e sua paixão pelas artes. Já nos primeiros meses no seminário, surpreendeu o reitor ao apresentar um quadro a óleo, com a foto do Fundador, Pe Júlio Chevalier. Na congregação esteve muito próximo do Pe Agostinho van der Brooken, com quem compreendeu o sentido de uma fé profética, de mãos dadas com as lutas em defesa da vida, sobretudo a partir dos mais pobres. Neste período cursou Filosofia e Teologia.

         Durante quase 30 anos foi Missionário do Sagrado Coração, dedicando-se, sobretudo às Pastorais Sociais, educação popular e cultura.

         Na Cidade de Deus, juntamente com Roma Maria, foi fundador da Casa de Cultura que tem como proposta a memória da comunidade,  o resgate da cidadania comunitária, a partir da interface entre educação popular, arte e cultura.

         Embora fosse autodidata, em 1983 iniciou o curso intensivo de desenho e pintura na Escola Panamericana de Artes de São Paulo, onde foi contemplado com honra ao mérito pelos seus trabalhos. Não pôde concluir o curso devido às mudanças de cidade que se iniciaram.

         Nesse período de estudos, colaborou como ilustrador para vários movimentos, pastorais e eventos sociais, participando durante anos da elaboração de grandes painéis para encontros de formação popular em São Paulo e em outras cidades, sobretudo nos Cursos de Educação Popular, organizados pelo CESEEP, na PUC de São Paulo.  Sua formação filosófica e teológica, pouco a pouco, vão refletir nas temáticas sociais, populares e religiosas das suas sobras.

         De 1986 a 1988 esteve em Muriaé e trabalhou na Lider Viaturas, com desenho mecânico. Logo em seguida, dedicou dois anos ao Monumento dos Cem Anos do Dia do Trabalhador, obra criada por Sérgio Campos. Ao lado de Horácio Luís de O. Barbosa ficou responsável pela parte estética da obra, trabalhando com modelagem de cada detalhe. Junto com os trabalhadores da prefeitura de Muriaé, Amilton, João , Sr João, Manoel e Carmo foi um dos executores da obra, no seu complexo processo de ampliação em estrutura de ferro e cobre.

         Abriu um atelier de Arte numa sala do antigo Cine Brasil Barra. Nesse período também fez sua primeira exposição de arte no Salão do Teatro Gregório de Matos Guerra. Várias obras foram realizadas em pastel seco sobre papel. Em destaque as obras “Inspiração em Adom” e “Madre Teresa de Calcutá”.

         No ano de 1990 se integrou ao grupo de artistas populares, MARCA (Movimento de Artistas da Caminhada), onde se tornou amigo e parceiro de arte e vida do Frei Domingos Sávio C. de Menezes, que o introduziu na pintura de grandes painéis e com quem fez várias viagens interculturais para a Itália.

         Através do MARCA, conheceu a organização de solidariedade italiana, Ca'Forneletti, onde participou de intercâmbios de arte e cultura pela paz e integração entre os povos, com oficinas nas escolas, exposições e criação de obras. Em destaque o painel “Quatro Estações", que se encontra na cidade italina de Valeggio Sul Mincio, na parede da instituição. Esta obra foi executada em parceria com o artista Francisco Daniel.  

         No ano de 2000, ilustrou o livro do Paulo Freire “O Menino que lia o mundo”, publicado pela Editora Expressão Popular, do autor Carlos Rodrigues Brandão.

         Em 2001 foi para a Bahia e morou por oito meses no Bairro da Comunidade Ecumênica, Taizè. Ali realizou várias obras, como o Painel “Tempo de Sinais e Sinais dos Tempos” para a CRB Nacional (Conferência dos Religiosos do Brasil) e uma Via Sacra Indígena.

         Nos anos de 2003 e 2004, como Missionário do Sagrado Coração, morou em Roma como parte da equipe de produção de materiais para os 150 Anos dos MSC. Produziu livro comemorativo, pintura de um painel e cartazes de campanha de solidariedade dos MSC no mundo. Ao final de sua estada na Itália, fez curso de introdução à técnica de pintura em afresco no Instituto Italiano de Arte Artigianato e Restauro de Roma.

         Em 2005 foi designado como missionário para a Cidade de Deus, onde morou por sete anos. Junto com Roma Maria e membros da comunidade, criou a Casa de Cultura Cidade de Deus.

         Pintou a Capela do noviciado das irmãs em Belo Horizonte, no Bairro São João (2006)

         Em 2009, a convite do religioso e historiador holandês, Frater Henrique Christiano, pintou a Capela do Centro de Formação em Igarapé.

         Em 2011 pintou a Capela do Projeto Crescer, da Congregação São Pedro Advíncola, em Betim. Em seguida, pintou a Capela de um seminário da mesma congregação, em Goiânia.

         Em 2012, na Itália, a convite da Associazione Forneleti Impegno e Solidarietà, realizou sua segunda exposição temática “Luzes e Sombras na Cidade de Deus”, com as obras que retratam a realidade da sua experiência como missionário nesta comunidade.

         Possui experiência com pinturas de grandes proporções, como cenários, painéis, e arte sacra em capelas e igrejas, com obras em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

         Uma de suas obras, “Zumbi dos Palmares”, encontra-se no Salão dos Heróis Latino Americanos, em Caracas, Venezuela, além de obras na Itália, na Instituição Ca’Forneletti, Valeggio e em Roma.

         Em 2013, com ajuda do grande artista Francisco Daniel, pintou a tela de 13m X 5,70m, no Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Curitiba.

         Em 2014 se desligou oficialmente da instituição religiosa e foi residir na cidade de Juiz de Fora, a convite de um amigo, padre, psicólogo e pintor, Almir Miranda.

         Alugou um espaço na periferia de Juiz de Fora, onde morou e instalou seu atelier. Neste espaço, deu aulas de desenho e pintura e realizou várias obras.

         Em abril de 2016, realizou sua terceira exposição  " O Sagrado do Cotidiano”,  no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.

         Em 2017, retornou à Itália por alguns meses, onde participou da comemoração dos 30 anos da Associação Ca’Forneletti, em Valeggio Sul Mincio. Desenvolveu oficinas de arte e educação com adolescentes de escolas das cidades vizinhas, em parceria com a Artista, Educadora e Produtora Cultural brasileira, Zezinha Menezes, que fixou residência na Itália há vários anos.

         Em setembro de 2018, o artista participou do projeto “ Circuito Cultural Grande Hotel Muriahé,  organizado pela Prefeitura de Muriaé, por meio da Fundarte, no qual lançou a sua segunda edição da obra “ O Sagrado do Cotidiano”, exposição que teve a participação da rede escolar e da Secretaria de Desenvolvimento Social, com a presença das crianças e dos adolescentes do Centro de Referência Social (CRAS) nas oficinas e palestras relacionando a arte presente na vida cotidiana e como instrumento de transformação social.

         Em 2019, foi convidado pelo arquiteto Eduardo Zarza, para criar três obras sobre a vida de Santo Inácio de Loyola para a moderna Capela “Recanto Manresa”, do Colégio dos Jesuítas de Juiz de Fora.

         Durante muitos anos foi voluntário nos cursos de formação do MST, ministrando aulas, oficinas e elaboração de painéis. Em 2014, criou o maior deles, de 20m X 15m, cuja  execução se deu de forma coletiva, em Brasília.

         A convite do MST, foi morar no Assentamento Dênis Gonçalves, próximo a Juiz de Fora, num projeto de vida comunitária e agroecológica, onde reside até os dias de hoje.

         Também se formou em Terapia Comunitária Integrativa – TCI - pelo Pólo CAIFCOM, MG.

         Nos últimos anos dedica-se à arte como pintor, ilustrador e criador de projetos de Arte Sacra em espaços celebrativos.

         Anderson sempre foi um filho presente e também atencioso com todos os seus irmãos. Apaixonado pela vida, sempre destacou em suas artes o bem viver, a solidariedade, a luta pela justiça social.  Temos orgulho do seu talento, da sua simplicidade e do seu jeito de apresentar a vida pelas suas cores e formas.

         Sua espiritualidade e leveza trouxe fé, mansidão nos momentos mais marcantes da sua família: o falecimento da sua avó, Maria Bárbara Lacerda, aos 83 anos de idade, o falecimento do irmão Adelino André de Souza Pereira, com 04 anos e do seu pai, Adelino José Pereira, que faleceu no momento em que estava morando em Roma, e que, mesmo à distância, foi nosso filho, irmão e amigo presente.

         Sua vida hoje, num assentamento, junto a uma comunidade agroecológica e em meio a uma natureza exuberante, é um momento especial para reunir suas experiências e propor vivências integrativas com arte e espiritualidade. Isso é um sonho que, aos poucos, vai se tornando realidade.

         Para conhecer mais sobre o Artista e suas Obras, visite o site da Casa de Arte Minas - Atelier Anderson Augusto , organizado pela sua família, na cidade de Muriaé-MG.

         Casa de Arte e Atelier pretendem ser espaço de encontro, de partilha de experiências, de valorização e transmissão de cultura e de exposição do seu trabalho artístico e de outros artistas, que fazem da Arte sementes do Bem Viver.

         “A Arte não é apenas um produto, mas um processo rico e dialógico entre os seres. Ela possibilita a integração, libertação e resgate do sujeito histórico. E no fazer coletivo, permite o autoconhecimento, a importância da alteridade. Com um olhar crítico, profético e estético sobre a realidade, a ARTE permite sonhar com o NOVO..., e sonhar é antecipar a sua concretização. Esta energia criativa e transformadora, alimentada pelo direito ao JUSTO, ao BEM e ao BELO é o desafio do OUTRO MUNDO POSSÍVEL... a verdadeira OBRA DE ARTE.” - Anderson Augusto de S. Pereira.

     

     

     


    Homenageado por Familiares
    E-mail: alineminas67@hotmail.com

01/02/1962

Cidade / Estado

Muriaé / Minas Gerais

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Artistas

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