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Vicente Montezano Neto

  • ​UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO, RESILIÊNCIA E FÉ.

         Sou Vicente Montezano Neto, natural do Rio de Janeiro, nascido na Vila Militar, em Deodoro, em 03 de novembro de 1971.

         Filho de Waldemar Montezano, natural de Vieiras - MG e Marly de Carvalho Montezano, natural de Manaus - AM.

        Meu pai foi militar, paraquedista do Exército por muitos anos, com mais de 400 saltos, também atleta, recordista do Exército e Campeão Sul-americano dos 200 metros rasos. Passou a ser treinador de Atletismo, obtendo grande sucesso com atletas de nível Mundial como João Carlos de Oliveira, o "João do Pulo", Robson Caetano (primeiro brasileiro a bater a marca de 10 segundos nos 100 metros rasos), entre muitos outros...

         Em seguida, se tornou treinador de Atletismo, e, com ótimos resultados, foi convidado para a frente da Seleção Brasileira, onde ficou por mais de 15 anos, representando o Brasil em competições mundo afora.

         Minha mãe, D​. Marly teve a incumbência de cuidar e educar os filhos: Elisabeth, Kleber, Fábio e Vicente Montezano, o que fez com maestria, pois nos tornamos todos pessoas idôneas e com seus caminhos trilhados e bem resolvidos. Ela nos educou com pulso firme, porém, sempre amável.

         Aos 17 anos ingressei no Colégio Militar de Belo Horizonte, em regime de internato, ficando por dois anos. Em seguida, fui transferido para o Colégio Militar do Rio de Janeiro.

        A música falou mais alto e troquei a carreira militar pelo Conservatório Musical em Copacabana, a famosa Musiarte, onde me formei em Guitarra Contemporânea, três anos depois. Queria viver da música, então, procurava trabalhar na noite, com bandas, mas a dificuldade era grande.

         Em 1993, um amigo, Dudu Tupete, me convidou para compor uma banda em Muriaé, como guitarrista. Aceitei o convite, embora não gostasse do estilo, mas a parte financeira falou mais alto, afinal, era um trabalho.

         Em 1995 montamos a banda que seria um diferencial em nossas vidas, a Banda Corpo Delito.

         Rodamos por muitas cidades de nossa Região, com mais de 700 apresentações nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e interior de São Paulo. Gravamos CD e DVD Ao Vivo, fazíamos muitos shows em Exposições Agropecuárias e abertura de Shows de grandes artistas.

         Em 2002, ingressei na faculdade, a Faminas​,​ onde fiz parte da "Primeira Turma de Jornalismo". Já criava indiretamente as "Campanhas e direcionamentos" dos eventos realizados pela nossa produtora, a Corpo Delito Produções. Aliado à música, fiz especialização em Publicidade e vários cursos de programas de editoração visual (Photoshop, Corel Draw e Ilustrator) em São Paulo e no Rio de Janeiro. Estava a todo vapor, Arte à toda prova, Música, Design e Publicidade caminhando juntos...

         Em 2010, a fatalidade.

         Uma prova que Deus existe e cuida de nós.

         Morava sozinho em um apartamento, e meu pai, preocupado, me chamou para voltar a morar com eles, pois eu pagava dois aluguéis, de escritório e residência.

         Pensei comigo: "Se os coroas passarem mal, posso prestar socorro a eles"...

         Foi exatamente o contrário.

         Exatamente 10 dias depois de volta, passei mal e meu pai me socorreu. Domingo, dia 10 de outubro de 2010 às 6h da manhã, o pior dia da minha vida.

         Consegui pedir ajuda, meu pai ouviu. Estava caído e desacordado. Me levaram ao Hospital para saber o que estava acontecendo, suspeitaram de infarto. Acordei ao meio-dia no Hospital São Paulo (onde fui muito bem atendido - muito grato ao Dr. Wemersom Coura), com dores insuportáveis. Ainda com muitas dores, às 18h, meus dois braços começaram a inchar; um deslocado e o outro havia quebrado, talvez pela queda ​ou ​no momento da crise​ convulsiva​.

         Meu mundo caiu.

         Os exames detectaram uma MAV Cerebral, um sangramento no cérebro​ de sete centímetros​ e que seria caso cirúrgico.

         Meu pai sempre fala: problema foi feito pra ser resolvido!

         Pensei comigo: como resolvo os meus? O braço seria caso cirúrgico​,​ para não operar eu teria que dormir por 40 dias praticamente sentado, pois o braço estava na posição correta, era o período de calcificação e precisaria respeitar o tempo e a Lei da Gravidade... Assim o fiz, um problema resolvido.

         Vamos partir para o mais grave, pensei comigo.

         -Pra onde vamos? Pensaram meus pais e irmãos...

         Deus é grandioso e, perto de casa, Itaperuna, é uma das maiores referências Neurológicas do Brasil e, por nosso bom relacionamento e amizade em Muriaé, conseguimos vaga com urgência para operar. Dr. Sávio Boechat, Neurocirurgião de excelência, foi o responsável por essa saga que durou 8 anos... Uma ciriurgia por ano, todas graves. Ficava muito mal após cada uma delas. Perdia os movimentos do braço, no ano seguinte perdia ​os movimentos da​ perna. Sempre com muita dificuldade, o apoio d​e meus​ pais, meu​s​ irmão​s​ Fábio​, Elisabeth, Kleber​ e minha esposa Camil​l​a foi fundamental em minha recuperação nesses anos.

         Foram 7 cirurgias no total. E muita fisioterapia.

         Abraço especial para as Fisioterapeutas que me "levantaram por várias vezes": Liliane Guedes, Angélica Toledo, Liara Toledo, Thaís Rocha.

         Conforme o dito popular: Deus fecha uma porta, mas abre uma janela. Acho que Ele me abriu três!

         Nunca parei de trabalhar. Sou destro, designer. Passei o mouse para mão esquerda e continuei a desenvolvendo meus projetos de Identidade Visual e criando meus Logotipos, o que amo fazer.

         Faltava um problema a ser resolvido, que era voltar a tocar. Já estava há 10 anos parado, devido à perda dos movimentos do braço direito.

         É onde entra o amor de mãe. Aniversário de 80 anos de meu pai, 80 anos de minha mãe e 50 anos de casados, um festão para 400 pessoas da família e amigos. Pergunto à minha mãe o que ela gostaria de aniversário, ela disse: Um show da Corpo Delito! De imediato disse não, que há 10 anos não conseguia tocar, que escolhesse outra coisa e ela disse: tudo bem, não quero nada...

         Cheguei em casa e refleti sobre minha negativa à minha mãe. Foi um 'start'. Liguei para os amigos da Banda para saber se teriam compromisso na data do evento, ainda faltavam 2 meses. Foi uma alegria pra eles, disseram ok na hora sobre nos reunirmos novamente.

         Liguei pra minha mãe e disse: se prepara para o show da Corpo Delito na sua Festa! Ela vibrou, assim como meu pai, minha esposa, irmãos, família e amigos.

         Daí começou minha corrida contra o tempo. Disse à fisioterapeuta que em 60 dias precisaria estar no palco, tocando. Fizemos exercícios específicos para mão e braço, atividades de Terapia Ocupacional, ainda sentia dores no braço pela falta de movimentos. Comecei na guitarra com 5 minutos diários, progredindo sucessivamente, passando para 15, 30 minutos...

         Enfim, marcamos o primeiro ensaio com a banda! Deu certo. Preparamos o repertório.

         Sonífera Ilha​ (Titãs)​ é a música da minha família. Quando tocamos foi emocionante, todos os 400 convidados cantando alto, as vozes ecoavam longe, meu coração explodindo de voltar a sentir aquela sensação novamente... Foi surreal, consegui fazer uma hora e meia de show, toquei bem! Muitas pessoas emocionadas, chorando de alegria pela minha superação e meus pais na minha frente com os olhos marejados o tempo todo, imagens que não saem de minha memória... Foi um dia maravilhoso, de festa, alegria e dever cumprido. Voltei a tocar no dia das Bodas de Ouro de meus pais, como sinal de gratidão e amor incondicional.

         Mas eu queria mais. Queria retornar aos palcos, voltar com a banda.

         Minha mãe preocupada: você vai voltar com a banda meu filho, tem certeza? Disse a ela: sim mãe, com certeza!

         Daí pra frente comecei a procurar novas peças para o quebra-cabeças, já que meus antigos amigos de banda já tinham outros compromissos.

         Fui convidando um a um, a dedo. Fiz uma carta timbrada, personalizada, dizendo o que eu pretendia com o novo Projeto da Banda e como poderíamos alcançar nossa meta. Entreguei para cada um, separadamente.

         Aceitaram na hora! Foram 3 meses de ensaios aos domingos - dia que todos podiam, para a preparação do show do Retorno da Banda Corpo Delito. Marcamos a data na AABB com ótima receptividade do público.

         Chegou o grande dia, casa lotada! Estavam presentes meu médico Dr. Sávio Boechat, a fisioterapeuta e amiga Liliane Guedes, família, amigos e fãs da banda. Foi um show emocionante, 3 horas de duração e sensação de dever cumprido, eu havia conseguido voltar ao palco após 10 anos...

         Voltamos ao trabalho, nossa agenda ia super bem, porém pausamos por conta da Pandemia, que dentro em breve será resolvida.

         Deus é grandioso e o que sempre fiz foi me ver na situação desejada, pedir e agir.

         Uma pessoa me​ presenteou com um livro, que fala sobre as Leis do Universo. Há uma Lei que peguei pra mim, que é a Lei da Atração​.​ ​A​traímos o que pensamos ou sentimos.

         ​C​omecei imediatamente a assistir os vídeos da banda, me ver fazendo o que desejava e me imaginar fazendo aquilo... Então, me via novamente no palco, como se alguém estivesse me filmando de costas, o público na frente, as luzes coloridas, a fumaça, o som... Essas imagens estavam constantemente em meus sonhos, tinha entrado em meu subconsciente.

         Deu certo, persisti, fui atrás com Fé, consegui.​

         Nunca reclamei do meu problema ou perguntei "o porquê", "por que eu?" Deus traça os caminhos de cada um, e cabe a nós passar pelas tribulações da melhor forma, encarando o problema com a certeza de que tudo se resolverá lá na frente. Temos que respeitar o tempo de Deus, é Ele que determina nossa breve estada por aqui...

         Sou Vicente Montezano e essa é uma história real. 


    Homenageado por Vicente Montezano
    E-mail: vicentemontezano@gmail.com

03/11/1971

Cidade / Estado

Muriaé / Minas Gerais

Categorias

Artistas,Empresários,Músicos

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